Bem , preciso dizer que ele além de lindo já mostrava um certo poder aquisitivo bem melhor que o meu , ele tinha um carro, eu não, ele trabalhava na empresa do pai, eu não (funcionária em uma empresa), ele morava em uma casa aqui na minha cidade em cima de outro comércio do pai dele, eu não (morava em dois cômodos, com um puxadinho), era bem simplisinho.
Minha mãe sempre disse: Lidia infelizmente filha, nesta vida cada um vale o que possui, ou seja, se você tem dinheiro, influência e se arruma bem, você é tratado melhor pelas pessoas, caso contrário eles te tratam mal. As pessoas não dão valor para pessoas como nós, pobres.
Eu não queria acreditar naquilo, era cruel demais, que mundo horrível.
Na minha fantasia estava tudo certinho, ele ia descobrir que eu era pobre, tinha menos estudo que ele, mas quem sabe ele poderia me ajudar a ser igual a ele e seriamos felizes para sempre, João haveria de me aceitar, afinal eu não era má pessoa, só queria ser feliz.
O sábado nunca que chegava e aquilo era uma tortura, vai que ele liga desmarcando, mas graças a Deus não ele não desmarcou.
Que dia lindo, estava bem ensolarado, perfeito, acordei alegre, disposta tinha que me arrumar meu quase namorado ia chegar.
As horas não passavam, então comecei a procurar algo para aquele passeio, ele me disse que viria de moto para passearmos na principal avenida daqui. Então, procurei um short, uma regata, mas não tinha um sapato que combinasse, e agora??? Bom, teria que me virar, então coloquei um tamanco bege, não era perfeito para a ocasião, legal seria um tênias, mas eu não tinha.
Apesar disso me olhei no espelho e até que gostei, estava bonita e era apenas um passeio de moto pela avenida, o que é que haveria de mais.
Fui para a frente do portãozinho de lata e ali fiquei esperando, derrepente vi aquela moto enorrrrrrme encostando do meu lado, ele vinha de camiseta branca, short azul marinho e tênis branco, tão branquinho que parecia novo.
Quando levantou a viseira, pude ver em seus olhos a decepção, me mediu de cima em baixo, a voz mal saia de sua boca, ele meio que gaguejava tentando arranjar uma desculpa, um imprevisto e eu fiquei ali atordoada, parecia que havia levado um soco bem na boca do estômago, tentava me manter em pé e educadamente sorri para não demonstrar minha imensa tristeza e vergonha, me senti tão humilhada, naquele momento meu mundinho de fantasias havia desmoronado. Lembrei de minha mãe, não era possível ela tinha razão, "eu não valia nada, pois não tinha nada",.
Se eu lembro de tudo o quele disse, não, apenas que depois ligava, enfim, ele ligou a moto e se foi eu desabei, chorei, chorei tanto de vergonha de mim, da minha situação, da minha pobreza diante daquela vida de filhinho de papai, daquele olhar que dizia: Por favor, não se aproxime sua pobreza pode me contaminar. Eu não sabia o que fazer.
Tentei entender, refiz aquela maldita cena mais de cem vezes, mas não achava uma explicação lógica, não havia o que entender, só o que aqueles olhos me mostraram, ou eu não era a garota que ele havia visto naquela madrugada, ou eu não servia para ele, mas como?? ele nem me conhecia?
Minha roupa simples não poderia ser motivo de vergonha, poderia? É parecia que sim.
Foram 3 dias de choro, meu peito doia, nunca mais alguém iria me fazer passar aquela humilhação, era assim que eu me sentia humilhada. Não queria mais sair de casa, me olhava no espelho e me sentia feia, olhava aquele short semi-novo de confecção (sem marca) e só sabia chorar.
Então comecei relembrar nossas conversas pelo telefone e lembrei que ele havia comentado que praticava squash. Bom, eu só havia ouvido falar sobre aquilo na televisão, então, minha ficha caiu, realmente eu não servia para ele, o moço era bom demais para mim.
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