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quinta-feira, 3 de março de 2011

Aconteceu no carnaval - Final

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O tempo passou, foram muitos meses, quase um ano, uma tarde cheguei em casa e minha mãe me olha e diz: Lídia o João ligou duas vezes.
Fiquei paralisada e agora? mas a lembrança daquela humilhação era forte, levaria muito tempo até conseguir curar aquela ferida.
Eu não ia ficar a disposição esperando o boneco ligar, jamais e também achei que após estas duas tentativas ele não ia ligar mais. Então, no dia seguinte o telefone tocou, nem pensei que fosse o João, peguei o telefone e derrepente ouvi aquela voz que outrora era tão doce aos meus ouvidos, ele falava como se tivesse conversado comigo na noite anterior, rindo como se nada tivesse acontecido, eu não podia acreditar, era algo absurdo, mas não havia nenhuma explicação , só comentários do dia dele e que queria me ver, minha única reação naquele momento foi responder com o tom mais frio que pude e com poucas palavras, como poderia tratá-lo diferente? Sorrir para alguém que nem explicações deu para aquela atitude horrenda.
Se ao menos ele tivesse me procurado, se e explicado, mas não, sumiu, pensei o que bem entendi.
Desliguei o telefone, pronto acabou (pensei), mas ainda não era o fim, alguns dias depois andando pelas ruas próximas a minha casa um carro parou e quem estava ali me chamando, sim, era o João.
Olhou-me e disse: você está diferente, linda. (houve uma pausa infinita, eu não tinha nada a dizer). Estou indo comprar uma roupa para o casamento da minha irmã que é amanhã, quer ir comigo?

Hãããã!!!!!!!!!!! Acho que ele tem problemas, não pode ser normal (pensei).
Que pessoa não te explica nada, fura com você e aparece quase um ano depois agindo como se houvesse conversado com você anteontem, será que ele imaginou que eu ia ficar ao lado do telefone esperando ele ligar até hoje?.

É ali terminava a nossa história da mesma forma que começou, em uma calçada, ele dentro do carro e eu olhando para aqueles olhos castanhos escuros sem saber o que fazer, porém, me sentia vitoriosa ao dizer: estou muito ocupada, do tipo ó por favor garotinho do papai, não me procure mais.
Caminhei sem olhar para trás, afinal era apenas um acontecimento de carnaval.

Aconteceu no carnaval - Parte 5

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Bem , preciso dizer que ele além de lindo já mostrava um certo poder aquisitivo bem melhor que o meu , ele tinha um carro, eu não, ele trabalhava na empresa do pai, eu não (funcionária em uma empresa), ele morava em uma casa aqui na minha cidade em cima de outro comércio do pai dele, eu não (morava em dois cômodos, com um puxadinho), era bem simplisinho.

Minha mãe sempre disse: Lidia infelizmente filha, nesta vida cada um vale o que possui, ou seja, se você tem dinheiro, influência e se arruma bem, você é tratado melhor pelas pessoas, caso contrário eles te tratam mal. As pessoas não dão valor para pessoas como nós, pobres.

Eu não queria acreditar naquilo, era cruel demais, que mundo horrível.
Na minha fantasia estava tudo certinho, ele ia descobrir que eu era pobre, tinha menos estudo que ele, mas quem sabe ele poderia me ajudar a ser igual a ele e seriamos felizes para sempre, João haveria de me aceitar, afinal eu não era má pessoa, só queria ser feliz.

O sábado nunca que chegava e aquilo era uma tortura, vai que ele liga desmarcando, mas graças a Deus não ele não desmarcou.
Que dia lindo, estava bem ensolarado, perfeito, acordei alegre, disposta tinha que me arrumar meu quase namorado ia chegar.
As horas não passavam, então comecei a procurar algo para aquele passeio, ele me disse que viria de moto para passearmos na principal avenida daqui. Então, procurei um short, uma regata, mas não tinha um sapato que combinasse, e agora??? Bom, teria que me virar, então coloquei um tamanco bege, não era perfeito para a ocasião, legal seria um tênias, mas eu não tinha.
Apesar disso me olhei no espelho e até que gostei, estava bonita e era apenas um passeio de moto pela avenida, o que é que haveria de mais.
Fui para a frente do portãozinho de lata e ali fiquei esperando, derrepente vi aquela moto enorrrrrrme encostando do meu lado, ele vinha de camiseta branca, short azul marinho e tênis branco, tão branquinho que parecia novo.
Quando levantou a viseira, pude ver em seus olhos a decepção, me mediu de cima em baixo, a voz mal saia de sua boca, ele meio que gaguejava tentando arranjar uma desculpa, um imprevisto e eu fiquei ali atordoada, parecia que havia levado um soco bem na boca do estômago, tentava me manter em pé e educadamente sorri para não demonstrar minha imensa tristeza e vergonha, me senti tão humilhada, naquele momento meu mundinho de fantasias havia desmoronado. Lembrei de minha mãe, não era possível ela tinha razão, "eu não valia nada, pois não tinha nada",.
Se eu lembro de tudo o quele disse, não, apenas que depois ligava, enfim, ele ligou a moto e se foi eu desabei, chorei, chorei tanto de vergonha de mim, da minha situação, da minha pobreza diante daquela vida de filhinho de papai, daquele olhar que dizia: Por favor, não se aproxime sua pobreza pode me contaminar. Eu não sabia o que fazer.

Tentei entender, refiz aquela maldita cena mais de cem vezes, mas não achava uma explicação lógica, não havia o que entender, só o que aqueles olhos me mostraram, ou eu não era a garota que ele havia visto naquela madrugada, ou eu não servia para ele, mas como?? ele nem me conhecia?
Minha roupa simples não poderia ser motivo de vergonha, poderia? É parecia que sim.

Foram 3 dias de choro, meu peito doia, nunca mais alguém iria me fazer passar aquela humilhação, era assim que eu me sentia humilhada. Não queria mais sair de casa, me olhava no espelho e me sentia feia, olhava aquele short semi-novo de confecção (sem marca) e só sabia chorar.
Então comecei relembrar nossas conversas pelo telefone e lembrei que ele havia comentado que praticava squash. Bom, eu só havia ouvido falar sobre aquilo na televisão, então, minha ficha caiu, realmente eu não servia para ele, o moço era bom demais para mim.

Aconteceu no carnaval - Parte 4

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Não coseguia dormir embora estivesse cansada, só conseguia pensar nele, naquele sorriso lindo e tudo o que acotecera comigo, da noite horrorosa que se transsformara em algo maravilhoso.
É deveria ser o destino, era o meu príncipe ali na minha frente.
Quando acordei não pude me conter tinha que contar para alguém, mas quem iria acreditar numa história tão doida, criei coragem e falei: mãe preciso e contar uma coisa que me aconteceu ontem. Ela me olhou e pôs-se a ouvir toda aquela narrativa, quando terminei ela sorriu e disse calma, não vá se iludir, talvez você nunca mais o veja, quase chorei, não, eu tinha que vê-lo e dizer que aquilo não foi por acaso, (não acredito em acasos) ele era o meu destino.
Alguns dias se passaram e realmente eu não o vi, até que chegou o domingo e como sempre eu ia à mesma reunião que os pais dele, fui meu coração estava acelerado, quem sabe ele não estaria lá?
Relamente a mãe e a irmã estavam lá, mas ele não, eu as cumprimentei, mas ninguém disse nada e fiquei por ali, a noitinha em casa, meu telefone tocou nem acreditei quando minha mãe disse Lídia é o João para você, meu coração disṕarou.
Corri ao telefone e começamos a conversar, a voz dele era suave, calma e eu tentava não demonstrar minha ansiedade, estava afoita rssssss ali passei horas e descobri que ele ficava na capital durante a semana, por causa do trabalho e dos estudos, mas e daí eu poderia vê-lo nos fins de semana.
Assim terminamos nossa primeira conversa ao telefone e era tão bom.
Me sentia uma garotinha, embora já tivesse passado dos 25, jvem sei, mas já era moça e sabia o que queria, tudo a meu redor havia ficado mais bonito, agora suspirava à toa. Nada me irritava, nem aquele episódio com a Clara.
Minha mãe estava preocupada, mas eu? Eu estava apaixonada.
Outra semana e outra ligação e assim foram várias até que em uma delas finalmente ele criou coragem e disse: Lídia, sábado irei para a casa de meus pais, que tal eu passar aí após o almoço e a gente dar uma volta?
Alguém tem noção do que isso significa? Era tudo o que eu queria ouvir e finalmente estava acontecendo.
Eu não conseguia acreditar, parecia bom demais para ser verdade.
O joão , lindo, simpático, engraçado, queria sair comigo?!
Me imaginei amiga da mãe dele, já entre a família, nós dois namorando e depois nos casando, pronto era isso.
Claro, disse eu, te espero após o almoço.

Aconteceu no carnaval - Parte 3

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Estava sentadinha ao lado dele (morrendo de medo) qualquer coisa eu pularia do carro pensei.
Bom, arrisquei a olhar para àquele rosto, do moço que havia me ajudado.
Nossa, ele era muito bonito, magro, pele branca, cabelos e olhos castanhos escuros, usava óculos e uma bela camisa branca. Agora estava mais calma, porém, minhas mãos ainda tremiam e estavam muito geladas.
João parou em frente ao meu portão, desligou o carro e começamos a conversar, me falou da vida dele, alguma coisa da família, contei-lhe também algumas coisas, agora parecia que nos conheciamos a muito, muito tempo.
Sorriamos e a conversa fluia, tive vontade de abracá-lo, ele havia me salvado além do que, fiquei encantada.
Será que ele era o príncipe encantado que li quando criança?? Ai que pensamento idiota, mas rsssss qual menina nunca leu aquilo?!
Nossa aquele homem tinha um sorriso lindo, dentes branquinhos e retos (diferentes dos meus, tortinhos) e o cheiro? Que perfume seria aquele?! Eu jamais saberia dizer.
Enquanto ele falava eu sorria e pensava: Que homem lindo, bem que poderia ser meu.
Já era tarde, quase 5 horas, não queria que ele se fosse, o tempo bem que poderia parar naquele momento, e sei lá tive a impressão que ele também não queria ir.
Enfim tinha que descer daquele carro e deixar meu príncipe ir embora, me deu uma tristeza, meu Deus há duas horas atrás eu tive medo daquele homem e a meia hora estava encantada com o modo divertido, engraçado dele, além de tudo não tentou nada. Que homem era aquele, era um cavalheiro, decente, era o homem perfeito.
Bem, agradeci com um aperto de mão e desci.
Dentro de mim dizia: bem que poderia ter acontecido um beijo, só um.

Aconteceu no carnaval - Parte 2

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Meu medo era tão grande que comecei a achar que todos estavam me seguindo, me olhando.
Durante o trajeto até a minha casa tinha que passar (obrigatóriamente) por um pedaço onde há vários usuários de drogas, prostitutas e andarilhos.
Pensei: Tinha que ser comigo? Meu Pai me ajude!!!! Preconceito? Não, era medo mesmo.
Passei tão rápido que nem sei como atravessei aquela ruazinha. Derrepente escuto do meu lado
Psiu!!!! quer uma carona?
Quase pulei de susto. (Ele deve pensar que sou puta)
Só consegui responder: Eu não sou o que você está pensando.
Ele continuou com o carro bem devagarinho do meu lado.
Não, eu só perguntei se você quer uma carona.
Eu já estava tão nervosa que parei e desatei a falar desesperadamente em meio as lágrimas, acho que contei toda a história daquela garota e eu em 5 minutos.
Não conseguia respirar, meu coração estava disparado e as lágrimas não cessavam.
Ele me olhou, sorriu e disse: olha eu percebi que você estava perdida e já é bem tarde, se você não quiser entrar no carro tudo bem eu vou te seguindo até a sua casa, mas você não vai sozinha é perigoso.
Ele se apresentou, falou o nome dos pais, disse aonde morava e aí quem sorriu fui eu, disse-lhe: conheço sua mãe e irmã.
Não acredito (nem eu), que mundo pequeno, ele me disse.
Então, para que eu confiasse naquelas palavras, ele retirou do bolso a identidade e pude ver que pelo menos o nome era verdadeiro, João.
Confesso que entrei no carro com medo, mas resolvi arriscar estava com meus pés dormentes e ainda faltava muito até eu chegar em casa e tinha mais dois pedaços bem escuros e perigosos até chegar lá.

Aconteceu no carnaval - Parte 1

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Preciso contar o que me aconteceu ontem. Mas vou começar pelos fatos da semana passada, o Juliano me ligou e disse que passou numa faculdade famosa e vai embora para outro Estado, "que peninha", vou sentir muito a falta dele. Vai ser repórter .... que chique.

Fevereiro é carnaval, todo fevereiro tem e, nós vamos ao clube, minha mãe não gostou muito, sabe como é fica preocupada. Eu disse à ela para não se preocupar, pois assim que acabar o baile vou dormir na casa da amiga do Ju.
Se eu a conheço?
Não, na verdade só falei com ela uma vez, bem rápido, mas o Ju é gente boa (ela também deve ser). O nome dela? Ah! sim ia esquecendo de dizer é Clara, apesar que ela é morena de uns olhos negros tão lindos, parecem jaboticabas.

Então, chegou o dia (ontem) e me preparei para ir ao clube, como não sou muito chegada em carnaval fiquei sem saber o que vestir, acabei colocando um jeans, uma sandália brilhante e uma regata. Passei na casa do Ju e de lá fomos até a casa de Clara, para minha surpresa o Ju arranjou outro compromisso e ..... se foi, então, partimos eu e Clara para o baile.

Nossa clube lotado, cheio de gente bonita som bem alto aquela fumaça e muita bebida.
Não eu não bebo, fiquei ali tentando sambar. Bom Clara sumiu, cada vez entra mais gente.
Tô de olho num rapaz, mas acho que ele está afim de outra pessoa, nem me viu kkkkk.

Clara volta e me diz achei um carinha legal e ele está com um amigo.
_ Hummmm!!!!!
Nossa, mal ela acabou de falar vejo dois cidadãos ao lado dela. O primeiro é bonitinho, mas o amigo Meu Deus! Ah, sem chance, não é o meu tipo, mas não custa conversar com a pessoa.
Começamos a conversar e, nossa Clara agarrou o rapaz (o bonitinho).
As horas passam já estou entediada, o rapaz já percebeu que não quero nada e está ficando nervoso. (quem deveria ficar nervosa era eu com esse papinho mais ridículo).
Já são 3h da matina estou exausta, apesar de tudo valeu "pensei". Mas para minha maior surpresa cade Clara?
Meu Deus quanta gente, perdi a garota e agora? Não, não posso me desesperar, vou até a portaria ela tem que passar por ali.
Tá ja faz dez minutos que estou na porta do Clube todo mundo saindo, uns legais outros carregados, fedorentos.... final de festa que loucura tem de tudo.
Derrepente ouço um grito do meio da avenida em direção à portaria do clube, mais uma surpresa dentro de um carro abarrotado de homens, parecia uma lata de sardinha, quem está lá?
É, aquela garota deve ser doida, nem conhece os caras. Me aproximo e ela diz: sobe aqui, vamos ao posto de gasolina com eles, depois a gente vai na casa deles e mais tarde eles nos levam pra casa. (É ela deve ser louca varrida).
Acho que meu rosto se transformou naquele momento.
Quê?!
- Sobe aqui.
Não!!! Eu vou para minha casa.
Ela me olha rindo (com aquela cara de quem diz: você é uma idiota) e diz: tá bom

Como está bom? (pensei) puxa ela tinha um compromisso comigo, eu ia dormir na casa dela e agora como vou embora, é madrugada estou a pé sem um tostão no bolso e morrendo de medo.
Nunca andei tão rápido na vida.