Tic Tac

sábado, 14 de maio de 2011

Um robô





Naquele dia ao acordar, percebi que não era um dia normal estava novamente angustiada as lágrimas caiam sem que eu pudesse controlá-las, a sensação de impotência tomava conta de mim que sempre gostei de controlar a minha vida, as situações. Estava novamente sendo capturada por aquelas garras nefastas chamada desespero.

As lágrimas desciam como cachoeira.... não conseguia explicar e, mesmo que tentasse sabia dentro de mim que ninguém me entenderia.

Deitada na cama, no escuro, chorava e dizia a mim mesma: tudo está errado, tudo errado, errado e a voz de um eu em desespero gritava: preciso dar um fim, um fim nisso, nessa situação, na vida horrível e deplorável.

Ah! se tivesse coragem, um pouco mais de coragem, poria um fim nessa dor, não era a dor do corpo, de um dedo machucado, de uma carne rasgada por um metal, uma úlcera. Não! Não era uma simples dor, ela dilacerava a alma, rasgava me o interior, destruía todos os desejos e pensamentos bons, confundia-me os sentidos e sentimentos, atordoava-me de tão forte. Ainda deitada sentia meu corpo pular com os soluços que eram quase que gritos e gemidos.

Alguém, ah, se tivesse alguém que entendesse e não tentasse explicar o inexplicável, somente ouvisse, enxergasse “a dor” por dentro.

Foi naquele momento que veio em minha mente queria ser um robô, assim o fim seria diferente, não aquela coisa humana e medíocre de finalizar a dor das tristezas da vida, mas se pudesse apertar alguns botões e simplesmente dosar a quantidade de dor, de desespero, da insegurança, dos sonhos não realizados, dos medos e incertezas, do fracasso, da derrota, tudo de maneira homeopática, talvez desse para continuar a caminhada, talvez esquecesse algumas coisas, talvez aquele baú que fica guardadinho dentro da mente escrito não consegui, não deu certo ou esqueça, estivesse mais vazio.

Após toda aquela confusão mental, levantei e vi que não havia outro jeito, não era um robô, tinha que seguir, viver, o dia estava nascendo e com ele vinham mais responsabilidades e coisas a fazer, não dava para ficar deitada chorando tinha que fechar o bauzinho e seguir em frente.



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